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Cultivo de células vivas em papel


Colocada por Vânia Tavares em Seg Nov 02, 2009 22:24

 

Foi desenvolvido, por investigadores da Universidade de Harvard, um novo método que poderá alterar o modo como os biólogos cultivam e estudam células vivas. A grande vantagem desta técnica é a sua simplicidade: tão fácil como usar uma toalha ou filtro de papel.


(Cultured cells || MAURO FERMARIELLO / SCIENCE PHOTO LIBRARY)

Actualmente, as células são cultivadas em caixas de Petri, que têm, ao contrário do organismo real, superfície plana. Para imitar a forma como as células crescem em três dimensões num organismo vivo, já existem algumas técnicas, tais como o uso de suportes, normalmente um gel. Contudo, o sistema ainda não é perfeito. Uma vez que as células localizadas em locais diferentes do órgão usam quantidades diferentes de oxigénio e alimento, as culturas em laboratório não conseguem reproduzir as condições de um órgão real. Alem disso, é também difícil estudar as células de diferentes partes do gel.

O estudo dos cientistas da Universidade de Harvard esteve voltado para a descoberta de um suporte mais simples e fácil de utilizar. Assim, descobriram que as células, quando cultivadas num papel comum (papel de filtro ou papel toalha), formam uma camada bidimensional, tal como na placa de Petri, permitindo que todas recebam as quantidades adequadas de oxigénio e alimento. Posteriormente, os cientistas empilham as folhas de papel, cada uma com a sua própria camada de células cultivadas. A porosidade do papel permite que as células comuniquem entre si, criando uma estrutura tridimensional que reproduz a estrutura de um órgão de forma mais precisa do que quando se utiliza o gel.

Os investigadores já conseguiram cultivar, através deste método, um tumor 3D que apresenta um comportamento semelhante ao cancro no organismo. Para estudar as células que estão no interior, basta retirar as folhas de papel sobrepostas, sem destrui-las.

Esta técnica poderá simplificar a criação de modelos tridimensionais mais reais, quer de tecidos normais, quer de tecidos cancerosos, tornando mesmo mais rápido e fácil testar compostos químicos candidatos a fármacos.

Uma vez que a técnica é flexível (servindo a vários propósitos) e bastante simples, poderá tornar-se uma ferramenta-padrão nos laboratórios, lado a lado com as placas de Petri, nos trabalhos com células vivas.

 

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