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Como controlar transposões
Colocada por Vânia Tavares em Qui Fev 12, 2009 12:16
Investigadores do Instituto Gulbenkian da Ciência (IGC) desenvolveram um estudo, no qual conseguem controlar transposões, que são sequências móveis de DNA. Esta técnica foi efectuada em grãos de pólen da planta Arabidopsis thaliana e descreve como os transposões são silenciados nas células sexuais do grão de pólen, evitando-se a mutagenicidade desses elementos de DNA.
O mecanismo descoberto que controla a expressão de transposões, poderá ser extensível aos eucariontes (como a mosca da fruta, a ameba e as algas).
Os transposões são elementos muito importantes no genoma (constituindo cerca de 45% do ADN humano) e encontram-se envolvidos na evolução dos organismos. Uma vez que estas sequências de genes têm a capacidade de se integrarem numa posição diferente da original, podem alterar a função e organização de outros genes, causando mutações prejudiciais para as células e organismo.
Posto isto, foi necessário perceber a forma de controlar de modo efectivo a sua expressão, até porque se estas mutações ocorrerem nas células sexuais serão transmitidas à descendência.
No início, os cientistas observaram que os transposões da Arabidopsis thaliana geralmente se encontravam silenciados na planta adulta, mas activos nos seus grãos de pólen (constituídos por um núcleo vegetativo, que não contribui com material genético para a nova planta, e duas células sexuais masculinas).
Posteriormente, através da técnica desenvolvida por este grupo de investigadores, conseguiram localizar a actividade dos transposões no núcleo vegetativo e revelar o seu papel fundamental no controle de expressão destes elementos nas células sexuais. Comparando o material genético de ambos os núcleos, observaram a activação de transposões no DNA do núcleo vegetativo e seu silenciamento no DNA hereditário das células sexuais.
Usando a técnica de separação das células, os cientistas foram perceber o porquê dos transposões não serem activados nas células sexuais. Observaram a existência de silenciadores de genes, os siRNA (small interference RNAs ou pequenos RNAs de interferência), que se acumulavam nas células sexuais vizinhas. Aaí actuam dois siRNA’s sobre os transposões e silenciam a sua expressão, prevenindo desta forma a sua mutação.
O próximo passo é perceber o papel que desempenham os genes que são activados no desenvolvimento das células sexuais e no futuro embrião.
Uma vez que a acumulação de siRNAs também se observa na mosca da fruta, este processo de silenciamento de transposões é também comum a eucariontes, actuando em resposta à activação de transposões em núcleos adjacentes ao que transporta a informaço genética hereditária.