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Artigo: A Importância da Biotecnologia na Produção Animal


Colocada por Diogo Amorim em Sex Jan 23, 2009 18:19

 

Seja qual for o segmento da cadeia de produção pecuária em que cada um esteja presente, a aplicação da Biotecnologia tornou-se crucial para o incremento da produção. Com o desenvolvimento do sector agro-pecuário, os criadores, que se transformaram em empresários agrícolas, são incentivados a utilizar cada vez mais as inovações em Biotecnologia disponíveis no mercado para aumentar a competitividade pela eficácia produtiva dos seus efectivos animais.

Muito se tem discutido a respeito da Biotecnologia e diversas temáticas são alvo de maior ou menor polémica científica, técnica e ética. Muitos não compreendidos, outros radicais, mas o importante é que se transmita informação fidedigna e positiva. Na área animal e em especial na relacionada com a produção animal tem-se alcançado resultados positivos na produção de alimentos seguros, sadios, sem efeitos colaterais ou agressivos ao meio ambiente.

A Biotecnologia é uma ciência que obrigatoriamente engloba e necessita da participação de outras áreas científicas, até porque, no caso da produção animal, a tendência é estudar e desenvolver organismos geneticamente modificados, com finalidade produtiva e economicamente viáveis e aplicáveis, razão pela qual a Bioquímica, Genética, Fisiologia, Biologia, Anatomia, Nutrição, e o próprio meio ambiente são áreas interdisciplinares imprescindíveis.

A Biotecnologia Animal consiste num conjunto de tecnologias que exploram o potencial das células animais com o objectivo de serem utilizadas na melhoria de sistemas de produção animal, em que a qualidade dos produtos e o bem-estar animal são condições básicas essenciais.

A produção variada (composição bioquímica e organização tecidual) do mesmo tipo de alimento de origem animal (carne ou leite) permite definir o sistema de produção animal a implementar em determinada região. Reforça-se a ideia da necessidade no Mundo, de um esforço de produção de alimentos de origem animal a dobrar a sua produção actual nos próximos 20 anos, face à duplicação previsível da população humana nos próximos 50 anos. Ao mesmo tempo a competitividade da produção, face à comercialização em mercados abertos, exige o aumento da eficiência produtiva. Teremos assim o incremento da produção massal de alimentos de origem animal, provenientes de sistemas intensivos de produção. Para este aumento da eficiência biológica muito contribuirá a aplicação de novas tecnologias em produção animal, responsáveis por custos de produção mais baixos e competitivos. Nos domínios metabólico, genético, reprodutivo e produtivo novas técnicas, quando não ponham em causa a saúde pública e eticamente sejam aceites pelo consumidor, permitirão aplicar muito recentemente e nos sistemas de produção intensiva outras técnicas de produção. O esforço de produção e a eficiência de produção conduzirão por outro lado à evolução da zootecnia que assentará as suas raízes na evolução do conhecimento científico e da aceitabilidade pública da aplicação de novas tecnologias, passando do animal modelo ao animal molécula, assente na identificação e expressão do ácido desoxiribonucleico (DNA).

Ao nível dos sistemas de produção animal deve-se compreender que a Biotecnologia contribui para a melhoria produtiva da unidade animal de modo a possibilitar uma produção alimentar, sem prejuízo quer para o animal em si como para os sistemas de exploração. Isto é, o produto final deverá apresentar condições de elevados padrões alimentares, com benefícios nutricionais e alimentares para o consumidor final, encontrando-se neste raciocínio contemplados os protocolos de bioética animal.

São exemplo disso os trabalhos desenvolvidos na proliferação de novos produtos a partir da criação de animais capazes de produzir proteínas terapêuticas (biorreactores), que sirvam para estudar doenças humanas, além de fornecer órgãos para seres humanos (xenotransplante) com novas características genéticas. A possibilidade de animais transgénicos expressarem proteínas em determinados órgãos, torna-os viáveis como biorreactores ou biofábricas de proteínas de importância biomédica que serão produzidas nos seus fluidos em larga escala (no sangue ou no leite). Os fluidos são constantemente produzidos, o que facilita a recuperação dessas proteínas. A produção das proteínas no leite é mais vantajosa do que no sangue, pois as proteínas não circulam no corpo do animal e o leite pode ser recolhido em grandes quantidades. Cabras, porcas e ovelhas transgénicas já produzem no leite, proteínas humanas com actividade anticoagulante e a hemoglobina. Animais transgénicos também podem ser utilizados para estudar mecanismos moleculares que contribuam para a patologia de doenças humanas, assim como para testar agentes terapêuticos que evitem o aparecimento de determinadas doenças, diminuam o seu progresso ou reduzam os sintomas.

A criação de animais transgénicos também terá reflexos comerciais importantes, tais como: aumento da eficiência na conversão alimentar e na quantidade de proteína na carne, melhoria na taxa de crescimento corporal, aumento do rendimento de carcaça e fibras têxteis (lã), entre outros.

Até ao momento foi nos peixes que os transgénicos apresentaram melhores resultados, pois os salmões transgénicos já são comercializados nos Estados Unidos, com crescimento 15% superior aos não transgénicos. Os transgénicos têm-se tornado atractivos, visto que programas de melhoramento convencional, efectuados por intermédio de selecção são mais morosos.

Em conclusão, são os transgénicos uma das áreas da biotecnologia com maior potencial de benefícios para toda a humanidade, para além de tornar o ambiente científico mais efervescente, fascinante e controverso.

Joaquim Orlando Lima Cerqueira, (Mestre em Produção Animal)
Docente na Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viana do Castelo
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